Deste mundo e do outro - ou um post crítico
No mundo real há gente para tudo. Maus escritores com direito a best-seeler, cantores sem voz nem dom musical, actores sem talento dramático, gestores maus a matemática, políticos sem visão nem ideologias, médicos que não gostam de pessoas, jogadores de futebol que recebem mais do que mil funcionários de um supermercado todos juntos só porque sabem dar uns toques numa bola, farmacêuticos com formação insuficiente para receitar medicamentos, lojistas que apenas conseguem expulsar as clientes da loja.
Neste mundo virtual, das outras pessoas conhecemos apenas a sua maneira de escrever. É a sua maneira de escrever que nos faz voltar ou não a um determinado blog, responder ou não a um cumprimento num serviço de chat. E é exactamente disto que eu queria falar: da maneira de escrever.
Ora, sendo ponto assente que ninguém que escreva num blog precise de ter habilidades literárias para se candidatar a um Nobel, é certo que estando a escrever para um público (um blog é um site público e que pode ser visitado por uma imensidão de pessoas) deve ter cuidado formal com o que escreve, começando e acabando pela Gramática. A gramática portuguesa foi criada para ser respeitada mas há por este mundo cada pontapé na dita que a Selecção Internética seria capaz de ter ganho a Grécia na final do Euro. Claro que erros todos damos (eu incluída), mas há certas regras que não devem ser contornadas. É para o bem da Língua Portuguesa que aponto, de seguida, alguns dos erros mais comuns em blogs. Para não afirmarem injustamente que estou a falar de cor, fiquem a saber que consultei a "Gramática do Português Actual" de José Almeida Moura (Lisboa Editores, 2003):
1. Separar o sujeito (e os complementos da frase) do predicado por sinais de pontuação.
Começo com este por ser um erro especialmente comum nos blogs que visito e por ser bastante grave.
Exemplos: O Fernando, foi às compras.(básico, nunca ninguém comete); Deixei-me, de coisas, e fui à minha vida. (já vi, já vi...); Abriu a porta, com a chave. (muito frequente); Ele deve gostar de dinheiro. Imagino, eu! (também frequente).
Nunca se deve separar com vírgulas ou pontos (ou outros sinais de pontuação) os vários intervenientes de uma oração dentro de uma frase.
2. Por falar em orações, não articular orações entre si com conjunções. Dito de outra menira, fazer pontos finais até dizer chega.
Exemplo: Eu gostei de ler o livro tal. É muito bom. Digo mais, é mesmo formidável. As pesonagens, a narrativa, o suspense. Tudo óptimo.
Como a coisa poderia ser escrita: Eu gostei de ler o livro tal, achei-o muito bom ou até mesmo formidável. Na minha opinião, tanto as personagens como a narrativa e o suspense estão óptimos.
Outro exemplo: "Ele disse isto e aquilo. Mas o assunto não morreu assim. Foi dito tal. Porque blá blá blá."
É engraçado constatar que são erros comuns, mesmo em blogs onde se nota que as pessoas gostam de ler e até o fazem com frequência. O facto de se colocarem pontos finais a mais torna a leitura mais aborrecida e não a torna, definitivamente, mais "intelectual".
3. Utilização errónea de pronomes.
Exemplo: "Vou vos dizer", em vez da forma correcta que seria "vou dizer-vos". "Vou me limitar", em vez de "vou limitar-me".
Se alguém se lembrar de mais algum deixe um comentário. E mais cuidadinho com o Português, se faz favor!
Cristina
Neste mundo virtual, das outras pessoas conhecemos apenas a sua maneira de escrever. É a sua maneira de escrever que nos faz voltar ou não a um determinado blog, responder ou não a um cumprimento num serviço de chat. E é exactamente disto que eu queria falar: da maneira de escrever.
Ora, sendo ponto assente que ninguém que escreva num blog precise de ter habilidades literárias para se candidatar a um Nobel, é certo que estando a escrever para um público (um blog é um site público e que pode ser visitado por uma imensidão de pessoas) deve ter cuidado formal com o que escreve, começando e acabando pela Gramática. A gramática portuguesa foi criada para ser respeitada mas há por este mundo cada pontapé na dita que a Selecção Internética seria capaz de ter ganho a Grécia na final do Euro. Claro que erros todos damos (eu incluída), mas há certas regras que não devem ser contornadas. É para o bem da Língua Portuguesa que aponto, de seguida, alguns dos erros mais comuns em blogs. Para não afirmarem injustamente que estou a falar de cor, fiquem a saber que consultei a "Gramática do Português Actual" de José Almeida Moura (Lisboa Editores, 2003):
1. Separar o sujeito (e os complementos da frase) do predicado por sinais de pontuação.
Começo com este por ser um erro especialmente comum nos blogs que visito e por ser bastante grave.
Exemplos: O Fernando, foi às compras.(básico, nunca ninguém comete); Deixei-me, de coisas, e fui à minha vida. (já vi, já vi...); Abriu a porta, com a chave. (muito frequente); Ele deve gostar de dinheiro. Imagino, eu! (também frequente).
Nunca se deve separar com vírgulas ou pontos (ou outros sinais de pontuação) os vários intervenientes de uma oração dentro de uma frase.
2. Por falar em orações, não articular orações entre si com conjunções. Dito de outra menira, fazer pontos finais até dizer chega.
Exemplo: Eu gostei de ler o livro tal. É muito bom. Digo mais, é mesmo formidável. As pesonagens, a narrativa, o suspense. Tudo óptimo.
Como a coisa poderia ser escrita: Eu gostei de ler o livro tal, achei-o muito bom ou até mesmo formidável. Na minha opinião, tanto as personagens como a narrativa e o suspense estão óptimos.
Outro exemplo: "Ele disse isto e aquilo. Mas o assunto não morreu assim. Foi dito tal. Porque blá blá blá."
É engraçado constatar que são erros comuns, mesmo em blogs onde se nota que as pessoas gostam de ler e até o fazem com frequência. O facto de se colocarem pontos finais a mais torna a leitura mais aborrecida e não a torna, definitivamente, mais "intelectual".
3. Utilização errónea de pronomes.
Exemplo: "Vou vos dizer", em vez da forma correcta que seria "vou dizer-vos". "Vou me limitar", em vez de "vou limitar-me".
Se alguém se lembrar de mais algum deixe um comentário. E mais cuidadinho com o Português, se faz favor!
Cristina

<< Home