quinta-feira, setembro 02, 2004

vida

Deixa-me cá improvisar um bocadinho sobre a vida e o aborto e essas coisas.
Houve uma coisa que disseste que me preocupou muito, não resisto a perguntar: as petúnias sobreviveram?
Há assuntos que nos parecem tão óbvios que é dificil discuti-los. Mas temos que fazer um esforço e nunca pensar que possuímos a verdade absoluta (entretanham-se a pensar que estão a possuir outra coisa qualquer).
Certamente que num mundo perfeito não haveria abortos. Mas não estamos num mundo perfeito. E eu sou defensor do mundo perfeito, a Utopia não pode morrer (ou morrerei com ela).
Segundo a minha experiência em caminhos, talvez o caminho para o mundo perfeito (apanhar um avião para o Brasil e ficar a olhar para a paisagem, desviando o olhar das favelas?!) seja tentar fazer um mundo um bocadinho mais perfeito.
Se houvesse aborto talvez não houvessem recem-nascidos abandonados no meio do lixo. Alguns são encontrados com vida e são adoptados por casais maravilhosos, outros são encontrados com vida e passam a vida em instituições duvidosas, outros são encontrados mortos e certamente que outros nunca são encontrados e não passam de uma lembrança dolorosa na cabeça da mãe.
Se não houvesse aborto não haveria mulheres a morrer em clinicas ilegais de condições inimagináveis. Muitas das que não morrem ficam com marcas fisicas preocupantes.
Depois há as marcas psicológicas indescrítiveis, e o facto de ser ilegal só aumenta o sentimento de culpa.
Nunca percebi o argumento que se tem que defender a vida, mesmo sendo de um amontoado de células que dificilmente se distinguiria de um gato ou um peixe no mesmo estado. Já pensaram que uma mulher poderia ter um filho por ano, durante a idade fértil. Já viram a quantidade de vidas que se perdem?
Perfiro defender as condições de vida, é bom saber que fomos desejados e há uma hipótese de sermos amados por quem nos pôs cá.
Eu não estou a dizer que devemos proibir as tias ricas de cascais de irem fazer os seus abortos a Inglaterra, onde garantem todas as condições, estou só a dizer que devia haver igualdade de condições.
Maria