Rua acima, rua abaixo
Morava nos Anjos e trabalhava no Técnico. Bom, não era bem no Técnico. Era um trabalho que me dava dinheiro, eu tinha que sustentar o meu irmão mais novo na aldeia e ainda tinha que pagar a coca do meu irmão mais velho. Eu tinha que fazer alguma coisa e foi trabalhar que escolhi. Era um trabalho como outro qualquer, rua acima, rua abaixo às tantas da noite, pára o carro, cinquenta com, cem sem, entro, não entro, entro, sento-me ao lado do condutor, às vezes eram mais passageiros e eu ou tinha que aviá-los sozinha ou chamava a Lisete que estava a vinte passos de mim e também lhe dava jeito o dinheiro, coitada, mão na minha coxa, a subi-la até ás cuecas, sorrisos cheios de saliva até ao quarto de uma residencial que fica ali mesmo ao pé, fecho os olhos e embalo-me, faço aquilo, ele vem-se, dinheiro na mão, Técnico e tudo outra vez de novo. Quando o fazia, estava a trabalhar, não tinha prazer nem orgasmos.
Às vezes, arranjava namorados e eles na primeira vez que íamos para a cama estranhavam tudo, quando sabiam do meu trabalho, que eu a alguns nem contava nada para não complicar. Com eles usava o preservativo sempre, que eu não sou burra nenhuma, não sou como a Tânia que dizia que não se sentia doente por isso ainda não tinha sido infectada com o bicho e quando se foi a ver, teve dois filhos com SIDA, o marido infectado e o vizinho do lado também, vai-se lá saber porquê. Os namorados não se queixavam do sexo, que eu a eles os tratava como se fossem aqueles clientes de primeira que apareciam quando o rei faz anos e que pagavam com jóias e dinheiro que dava para tirar férias e ir à aldeia durante uma semana inteirinha.
Quando vim para Lisboa não tinha sequer o décimo ano, tinha ficado com a Matemática atrasada, que a cabra da professora tinha-me dado 6 sem sequer me consultar. Vim para cá com esperança de acabar o Secundário enquanto trabalhava, o meu pai na altura tinha ficado inválido e a família começava a precisar de uns trocos. O meu primeiro trabalho foi no Colombo, como caixa de supermercado, mas o que eu recebia não dava para nada, mandava umas notas para casa, pagava o aluguer do quarto bolorento, ia ao Kremlin curtir com as minhas colegas mais novas. Depois o meu irmão Telmo veio para a Lisboa, meteu-se na coca e as coisas começaram a se complicar, chegava-se a uma certa altura do mês e o dinheiro acabava. Uma vez entrei no Kremlin e comecei a curtir com um beto todo cheio da massa. Na altura nem pensei no assunto, estava ali por estar, problemas na cabeça, alcoól a mais no sangue, mas depois, quando saímos e o gajo me ofereceu boleia para casa, eu disse-lhe ao ouvido "se me deres dez contos, sobes comigo", o gajo subiu, deu-me dez contos e eu comecei a seduzir para ser paga.
E foi sempre assim, rua acima, rua abaixo.
No fundo, todas as mulheres são putas, vão para a cama por interesse. Nem que o interesse seja só o prazer. Uma vez, uma gaja passou-me ao lado e cuspiu-me para as botas de cano alto. O nojo dela não me incomodou; agora o escarro nas minhas botas da Zara é que foi fodido.
Cristina
Às vezes, arranjava namorados e eles na primeira vez que íamos para a cama estranhavam tudo, quando sabiam do meu trabalho, que eu a alguns nem contava nada para não complicar. Com eles usava o preservativo sempre, que eu não sou burra nenhuma, não sou como a Tânia que dizia que não se sentia doente por isso ainda não tinha sido infectada com o bicho e quando se foi a ver, teve dois filhos com SIDA, o marido infectado e o vizinho do lado também, vai-se lá saber porquê. Os namorados não se queixavam do sexo, que eu a eles os tratava como se fossem aqueles clientes de primeira que apareciam quando o rei faz anos e que pagavam com jóias e dinheiro que dava para tirar férias e ir à aldeia durante uma semana inteirinha.
Quando vim para Lisboa não tinha sequer o décimo ano, tinha ficado com a Matemática atrasada, que a cabra da professora tinha-me dado 6 sem sequer me consultar. Vim para cá com esperança de acabar o Secundário enquanto trabalhava, o meu pai na altura tinha ficado inválido e a família começava a precisar de uns trocos. O meu primeiro trabalho foi no Colombo, como caixa de supermercado, mas o que eu recebia não dava para nada, mandava umas notas para casa, pagava o aluguer do quarto bolorento, ia ao Kremlin curtir com as minhas colegas mais novas. Depois o meu irmão Telmo veio para a Lisboa, meteu-se na coca e as coisas começaram a se complicar, chegava-se a uma certa altura do mês e o dinheiro acabava. Uma vez entrei no Kremlin e comecei a curtir com um beto todo cheio da massa. Na altura nem pensei no assunto, estava ali por estar, problemas na cabeça, alcoól a mais no sangue, mas depois, quando saímos e o gajo me ofereceu boleia para casa, eu disse-lhe ao ouvido "se me deres dez contos, sobes comigo", o gajo subiu, deu-me dez contos e eu comecei a seduzir para ser paga.
E foi sempre assim, rua acima, rua abaixo.
No fundo, todas as mulheres são putas, vão para a cama por interesse. Nem que o interesse seja só o prazer. Uma vez, uma gaja passou-me ao lado e cuspiu-me para as botas de cano alto. O nojo dela não me incomodou; agora o escarro nas minhas botas da Zara é que foi fodido.
Cristina

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