quarta-feira, setembro 29, 2004

Festa Temática

A minha ideia era uma festa temática em que todos nos tivéssemos que vestir de criminosos conhecidos e, de preferência, efectores de crimes passionais... É uma associação bastante triste com o nome do nosso blog, portanto é uma ideia muito pobre, mas se repararem bem, as festas temáticas têm sempre temas muito pobres, não acham?

Cristina

A mãe da Cátia Vanessa e do José Fabiano

Ela acordava de manhã e a mãe já lhe estava a dar um sermão.
"Bolas que dormes até tão tarde! É natural, deitando-se às horas que te deitas...Pfff! Que vida inútil."

Inútil era dizer à mãe que estava de férias e que, por tal, a mãe deveria respeitar o seu sono e deixá-la dormir até mais tarde, sem fazer barulho. Virou-se para o outro lado e, apesar do calor, tapou-se com o edredon para não ouvir o barulho do aspirador.

"Oh Cátia Vanessa, tu nem penses que vais ficar por aí a dormir. Tu levanta-te e é já, que isto são mais que horas de almoço e o teu pai está a assar sardinhas nas traseiras p'a gente."
O aspirador entrou literalmente pelo quarto dela adentro. Literalmente.

Ela levantou-se, olhos ensonados, camisa da noite com um peito à mostra. Endireitou-se.
"Quero ir para a praia. Combinei com uns amigos."

"E eu quero lá saber se queres ir para a praia ou não. Tu vais almoçar com a tua família, que a gente não te põe a vista em cima há uns tempos, desde que chegamos aqui à vila isto é que tem sido um arraial, sair á noite, escaldões e sair à noite outra vez para ter mais um escaldão no dia seguinte."

Ao menos alguém aproveitava o facto de terem alugado uma casa de férias na praia. Com uma família destas bem podiam ter ficado em Lisboa, o pai assava sardinhas na varanda, a mãe aspirava os corredores do apartamento e sentava-se de sofá a ver o "Às duas por três" enquanto fazia inúmeros naperons de crochet.

Vestiu o biquiní. "Oh mãe é que ainda ontem estava lá o Gabriel, o neto da Dona Fernanda, e foi ele quem me convidou."

A Cátia Vanessa sabia que com uma tirada destas não havia sardinha que resistisse. A Dona Fernanda era de tão boas famílias que, com toda a certeza, o seu neto seria um bom partido. Para a mãe, era isso que interessava.

"'Tá bem, tu vai lá, então. Mas vê se não te metes na marmelada que já deste muito que falar às vizinhas este Verão. 'Tou farta de ouvir dizer que andas com este e com aquele, com todos o que aparecem."

A Cátia Vanessa já não estava a ouvir. Já tinha saído porta fora, em direcção ao Gabriel, ao João, ao Gustavo, ao Hélder, ao Vítor, ao Rui e mais alguns. Foi por isso que a mãe pôde resmungar, sem perigo que a filha ouvisse:

"Leviana."

Cristina

A ideia principal

tenho uma ideia:
VAI TE TRATAR TARADA, ORDINÁRIA!!!

Vítoria

Sobre o post anterior:

Foi um post comemorativo, onde foi sugerida a ideia de ir beber uns copos, o que me parece naturalmente bem. Mas não nos devemos esquecer que este blog tem pretensões de ser um blog da moda, e o que está na moda são as festas temáticas. Ideias?!
Maria

Summer of sixty nine!!!

Chegamos ao post 69 meus amigos....
Acho portanto que deveriamos ir beber uns copos a pala disso!!!
Achei que deveria ser eu a escrever este post 69, já que achei que não iam reparar e iam deixar passar... e como a minha própria mãe me chama leviana.. não tenho qualquer tipo de inibição em dizer que escrevi o post 69. Aqui vai:

http://store3.yimg.com/I/sexualpositions_1801_1149394

Na foto podemos ver o motivo pelo qual o número 69 é motivo de tanta chacota e riso. Neste tipo de letra que estou a escrever podemos ver que o seu criador criou os números 6 e 9 de maneira a que quando os juntassem na forma de 69, não ferisse susceptibilidades alheias. Criando até a imagem romantica de dois seres a se beijarem apaixonadamente... Acho que não tenho mais nada a comentar.

Vitória ( escrevi isto em tiny, achei fofo)




Eu:

sou tonta....

Vitória Beckham

terça-feira, setembro 28, 2004

"Eu

Tenho um primo convexo
Fadado para amnistias
Em torno de ele nadam
Plantas carnívoras
Agitando como plumas
As cordas violáceas
O meu primo dormita
Glu glu entre palmeiras
Suspenso numa rede
De suor e preguiça
Corvos bicam-lhe os pés
Trincam-lhe os calos
Enquanto a tarde jaz
E a mão suspende
O gesto de acordá-lo
E a terra treme
Mas de nada o meu primo se apercebe"
José Afonso

Maria

Eu:

Tenho miopia e uso lentes de contacto :) A partir de hoje...
Cristina

Inominável!

Parabéns, Inominável, primo do ***** :p. E muitos posts de vida!

Cristina

sábado, setembro 25, 2004

Atirei o pau ao gato

To-to-to

Mas o gato não morreu-eu-eu

Dona Chica assustou-se com o berro- o berro
Que o gato deu.

Miau!
Cristina

Refeição

COMI COMI COMI...
BATATAS COM BACALHAU!!!

Maria e Vitória

quinta-feira, setembro 23, 2004

Hi!

I don't think I've met you before.
You look nice in your babydoll.
Better still, you look lovely.
Hey! Dou you want to share your bed with me?

Cristina

quarta-feira, setembro 22, 2004

Saudade.

Não sabia que não ver uma amiga durante algumas semanas fazia-me tanta impressão. Faz mesmo.
Gosto muito de ti, miúda.
Cristina

terça-feira, setembro 21, 2004

Oh my god they're back!!!!!!!!

William Burroughs

Acabei de ler a tradução de "The Naked Lunch", de William Burroughs.
Posso dizer que gostei, mas reparem bem que em lugar algum neste post eu o aconselho. Não quero ter essa responsabilidade.
Só vim aqui meter um excerto do livro:
"Este livro dispersa-se em todas as direcções de paisagens, melodias, ruídos na rua, traques e barulho de rixas, baixar metálico de estores de lojas comerciais, gritos de dor e de prazer, cópula de gatos e murmúrios proféticos de drogados, guinchos de macacos, suspiros, orgasmos, silêncio de heroína como o crepúsculo descendo sobre as celas, sons da Rádio do Cairo e flautas de Ramadã embalando o junky..."
Maria

mudar o mundo

Ontem à noite estava com algumas insónias. Depois de pensar um pouco pus a culpa nos males do mundo, só eles poderiam atingir com tanta força o meu sono (estava com muito sono, por isso devia ser uma coisa com muita força).
Fiz o que me pareceu óbvio, mudei o mundo. Não percebo porque é que ninguém ainda tinha feito isso, afinal de contas numa busca rápida pela internet consegui facilmente arranjar a receita da poção.
Lá fiz a poção (não se preocupem que não tive que mutilar morcegos), e não é que resultou! Fiquei feliz, sem perceber se era por ter feito uma coisa boa, ou por efeito da poção (um mundo perfeito pressupõe a felicidade em todos. É um dos efeitos das drogas, nunca sabemos se a felicidade é falsa).
A guerra tinha acabado, infelizmente o guerrilheiro interpretou mal o gesto do lado oposto e, num misto de medo, reflexos e habito disparou.
O sorriso foi mal interpretado, o gesto foi mal interpretado, o andar foi mal interpretado, a interpretação foi mal interpretada.
Foi pena não ter resultado, mas felizmente descobri há pouco tempo um chá chamado noites tranquilas. Sabe-me sempre muito bem.
Maria

Bem baralhadinha que nem um baralho de cartas!!!

Cristina onde tás?! Ando completamente baralhada com tudo e mais alguma coisa.. até com este blog... não sei se gosto dele... e agora? Volta rápido para me ajudares a ordenar estas cartas todas...

Saudades
Vitória

Saudade?

Deixa-me dizer-te que tenho saudades tuas. Tenho saudades de acordar contigo ao meu lado, os teus braços como ramos de salgueiro a me prenderem no doce enleio da cama. Tenho saudades da maneira como iluminas a minha vida, com os teus gestos, o teu olhar, os teus sumos de laranja, a tua gulodice. Até tenho, imagina tu!, saudades da forma como seguras o cigarro entre os dedos, como inspiras profundamente quando o levas à boca e depois deitas o fumo em baforadas quentes.
Cristina

segunda-feira, setembro 20, 2004

Não penses nisso

Tenta.
Inspira fundo e tenta de novo.

Fecha os olhos. Não penses nisso.
Tenta. Eu disse, não penses nisso.

Respira mais devagar. Tenta pensar noutra coisa.
Tenta.
Ao menos TENTA, CARAMBA!

Não feches os olhos. Não está a resultar.
Pensa na melhor conversa da tua vida.
Não.
Pensa na melhor dança da tua vida.
Na gargalhada mais feliz?
No mergulho mais revigorante?
Na noite ébria mais plena?
Não resulta?

Esquece. Ou pensa noutra coisa.
Tenta.
Cristina

Clã

substantivo masculino
conjunto de famílias com um antepassado comum, que se sentem solidarizadas por esse vínculo;
(Do galês clann, «família», pelo fr. clan, «id.»)

Eu sei que não é novidade nenhuma, o assunto está mais do que debatido, falado e discutido, mas... Mas eu gosto deles. Eles soam-me bem, ao vivo, em cd, em mp3, seja onde for.

Tudo se conjuga para a perfeição: letras brilhantes, sonoridades intimistas, musicalidade desperta, voz afinada, sentidos apurados.

Estou a falar nos Clã.
Hoje estive a ouvir o álbum "Rosa Carne". Parecia a primeira vez que o ouvi e, ao mesmo tempo, tudo me soava confortavelmente familiar...

Gostei de ouvir "Crime Passional" (letra de Adolfo Luxúria Canibal) e de lembrar que foi por aí que começou o texto que fez este blog arrancar. :)
Gosto de pensar que faço parte de um clã com um vínculo muito profundo: a amizade, a lealdade, a honestidade. Ou apenas a música?
Gostaria de ter a certeza absoluta que farei parte deste clã para sempre, até que a voz , os músculos e o cérebro me doam. E mesmo aí, espero poder contar com o clã ao meu lado.

Crime Passional
Adolfo Luxúria Canibal \ Hélder Gonçalves
[ SPA \ LX Editora ]

na perfeição dos dias sim tu ris
e o teu riso faz sonhar
a combustão que marca o fim feliz
quando o sol se põe no mar a dançar
fica a alma toda assim anis
a cabeça já lunar
então meu amado
meu terno amor angelical
tão forte é o sonhado
que leva ao crime passional

sentindo o teu odor a mel
a ungir de cor o ar
um frissom sobe em tropel veloz
por meu corpo em flor solar a suar
lívido qual cascavel atroz
que me enleva e faz sonhar
então meu amado
meu terno amor angelical
tão forte é o sonhado
que leva ao crime passional

num festim imoral
num festim visceral
num festim gutural
num festim animal
num festim carnal
num festim sensual
num festim bestial
num festim infernal

Sugiro então que leiam o post (que se chama surpreendentemente Crime Passional) onde tudo isto começou. Algures no arquivo, no dia 27 de Julho de 2004. (Eu sou mesmo uma nódoa nestas coisas de internet, nem sei fazer um link de jeito- peço desculpa).
Cristina

domingo, setembro 19, 2004

Neste momento neste blog

Não se passa nada. Rigorosamente nada.
Cristina

sexta-feira, setembro 17, 2004

A desinspiração

1- É uma gaja lixada. Detesto quando me dão ataques dela.

2- É tipo asma, vem quando menos a esperamos. Sento-me à frente do computador, escrevo uma palavra e, surpreendentemente, não escrevo mais nenhuma à frente dela.

3- É a razão pela qual eu não gostaria de ser uma escritora a tempo inteiro.

Aqui no blog, a única coisa a fazer é esperar por dias melhores.
Cristina

quarta-feira, setembro 15, 2004

Por falar em Público

Não é que me passou ao lado a colecção Taschen... Eu sabia que estava à venda mas na altura não me interessei, não sei porquê. Ultimamente, como leio a edição on-line em vez de ir à banca, explorei a página deles e vi uma listagem de sonho para qualquer pessoa que se interesse por arte.

Cada livro custa 4,5€. Se eu quiser comprar todos agora, 47 x 4,5 = 211.5 euros. Socorro.

Eu sempre quis ter toda a colecção de arte da Taschen. Não sei porque é que não comprei a do Público. Serei eu burra?

Até tem o livro do William Turner - o meu pintor preferido. Adoro.

Querem fazer uma vaquinha e me oferecer a colecção?Po favooooooor!
Cristina

José Cardoso Pires

Acho que ainda não vos tinha dito que ele é um dos meus escritores preferidos. Como muitos outros escritores que já li. Eu não dava para júri de prémios, não sou capaz de eleger um entre tantos. Não sou.

Tudo isto para dizer que vou hoje começar a ler um livro obrigatório de Cardoso Pires e que, por triste acaso, ainda não li (está na estante da minha mãe desde Fevereiro de 2003). Eu até punha a capa do livro neste post, mas não me apetece. Posso dizer-vos que o livro pertence à colecção Mil Folhas do Público.

Vou ler a Balada da Praia dos Cães. Então até logo.
Cristina

Sou mais uma...

...Entre os milhões de pessoas que já leram o Código da Vinci de Dan Brown. E sou mais uma entre os milhões que gostaram.

Eu não sabia que ia gostar. Não aprecio muito literatura norte-americana (à excepção de Paul Auster, que adoro), mas este livro provoca uma leitura compulsiva. E ensina, ensina muito.

Então aprendi imenso. E não consegui parar de ler durante dois dias seguidos.

Acho que é um livro facultativo (não é leitura obrigatória), mas cujo poder é facilmente apercebido quando se lê a primeira página. É que, depois dela, não se consegue parar. Garanto-vos.

Cristina

"Senta-te."

Ordenou-me ela, com aquele olhar que só ela sabe fazer, juntando doçura com imperatividade.

Sentei-me.
Encarei-a de frente, limpando a gota de chuva que teimava em percorrer o meu rosto.
"Não mandas em mim", rosnei, consciente de que ela mandava. Ainda.

"Se eu te pedi para vir cá, Gabriela, podes crer que foi por boas razões. Podes crer. Razões fortes, no limiar da desconjuntura total desta família. Segredos que não podem sair desta casa, deste quarto, deste espaço entre nós as duas que aloja o ar que respiramos."
"Ai sim?", demonstrando total desinteresse. Eu já tinha vivido tanto naquela noite que, fosse o que fosse que ela me ia contar, não me faria sequer mexer na cadeira. Por aquela noite já chegava de emoção. "Então conta, porque eu começo a ficar com sono. Não me queres adormecida enquanto contas essa magnífica história. Esse segredo imperioso."
"Herdaste essa ironia do teu pai", observou ela.
Ripostei "Que eu saiba não viemos aqui falar dele. Ao telefone, falaste em ti, então chuta. Começo a perder a paciência."
"Não sejas mal-educada, não foi assim que te criei."
Levantei-me de um salto, com o indicador da mão direita erguido desafiadoramente.

"Tu não me criaste. Tu desapareceste. Eu não sou mal educada -sou impaciente. Tão impaciente que ou me dizes imediatamente porque é que eu estou aqui ou parto esta merda toda e vou-me embora. Por mim chega, mãe."

Ela passou-me uma caixa para as mãos. Paralelepipédica, com embutidos em madre-pérola. Rica em pormenores barrocos, floreados e rococós gravados na madeira. Que madeira seria? Cerejeira? Possivelmente.
Passei os dedos por cada relevo vagarosamente, sentido a suavidade da madeira, a finura do trabalho. Reparei que não estava ali para estudar caixas de madeira - sobretudo aquela, tão assustadoramente familiar.
"Uma caixa? Chamas-me aqui porque estou - porque estamos - em perigo e dás-me uma caixa?"

"Abre-a."
Abri. No seu interior estava uma tampa que escondia o conteúdo da misteriosa caixa.
"Puxa-a."
Puxei. Num forro de seda fúcsia almofadado, jazia o objecto mais estranho que eu jamais vira. A forma era estranha, a cor também o era, a utilidade, o material com que era feito.
"Surpreendida?", oiço-a a perguntar, a sua voz vinda subitamente de longe.
"Não, confusa; mas suponho que me vais saber explicar isto muito bem."

Cristina

terça-feira, setembro 14, 2004

Na Natureza nada se perde

Tudo se transforma!

Por exemplo, o Pólo Norte já foi uma região subtropical, assim com um clima tipo Palma de Maiorca... Agora é o gelo que se lhe conhece. Confirmem aqui!

Imagine-se!

sábado, setembro 11, 2004

Condução perigosa

Não gosto, Não gosto e não gosto!!!! Admito ODEIO conduzir....
PORRA.................. PORQUÊ??????

Vitória


Rotina

Quando as férias acabaram oficialmente, senti-me estranhamente inquieta. Foram dias em que me baldei, e tentei prolongar as minhas férias mas algo corria mal nao conseguia perceber o quê...
Numa noite em que fiquei em casa apercebi-me do que se passava. Precisava urgentemente duma rotina... Que merda pensei eu revoltada com a minha banalidade e com a minha falta de rebeldia.
Agora passado uns dias e já "rotinada", aceito que durante a maior parte da minha vida preciso de uma rotina para me sentir segura.
Mas quem sabe um dia gostava de partir sem rotina e sem planos e só voltar quando me sentisse confortavél nessa situação, muitos anos se passarão concerteza, e aí quando regresar vou voltar a minha rotina e abandona-la quando me sentir pressa.
Adimitam lá, era bonito de se ver, não era?!

Glória

Exertos e comentarios sobre um livro acabado de ler

Acabei agora de ler O último cais de Helena Marques. Houve umas partes que sublinhei porque gostei ou porque não concordei, enfim as partes que mais mexeram comigo. E mais um pormenor relevante a história é passada basicamente em 1890. Aqui vai:
"...de resto esta cidade aceita tudo, até a aberração dos ménage à trois que se multiplicam por aí e ninguém lhes fecha a porta, antes pelo contrário, todos cuidam de não esquecer o Sr. Y ou a Sra. Z quando convidam o casal X, haverá no país cidade mais hipócrita e mais moralmente elástica sempre que a alta sociedade infringe os códigos de comportamento?"
Ah pois é! E nem um século mudou isso!
"... não há o menor vento, nunca há vento no Funchal ..."
Já viram afinal o Tio Alberto até o vento trouxe para o Funchal
"... Só as mulheres inteligentes sabem envelhecer, as outras pintam o cabelo."
Houve um dia que vi no metro uma mulher que não pintava o cabelo devia ter uns trinta e muitos anos e muito cabelo branco. Mas a sua genuidade era fenomenal.
Vitória

Já me decidi Maria!

I'M ALIVE! I'M ALIVE!!!!

Vitória

quinta-feira, setembro 09, 2004

Rua acima, rua abaixo

Morava nos Anjos e trabalhava no Técnico. Bom, não era bem no Técnico. Era um trabalho que me dava dinheiro, eu tinha que sustentar o meu irmão mais novo na aldeia e ainda tinha que pagar a coca do meu irmão mais velho. Eu tinha que fazer alguma coisa e foi trabalhar que escolhi. Era um trabalho como outro qualquer, rua acima, rua abaixo às tantas da noite, pára o carro, cinquenta com, cem sem, entro, não entro, entro, sento-me ao lado do condutor, às vezes eram mais passageiros e eu ou tinha que aviá-los sozinha ou chamava a Lisete que estava a vinte passos de mim e também lhe dava jeito o dinheiro, coitada, mão na minha coxa, a subi-la até ás cuecas, sorrisos cheios de saliva até ao quarto de uma residencial que fica ali mesmo ao pé, fecho os olhos e embalo-me, faço aquilo, ele vem-se, dinheiro na mão, Técnico e tudo outra vez de novo. Quando o fazia, estava a trabalhar, não tinha prazer nem orgasmos.

Às vezes, arranjava namorados e eles na primeira vez que íamos para a cama estranhavam tudo, quando sabiam do meu trabalho, que eu a alguns nem contava nada para não complicar. Com eles usava o preservativo sempre, que eu não sou burra nenhuma, não sou como a Tânia que dizia que não se sentia doente por isso ainda não tinha sido infectada com o bicho e quando se foi a ver, teve dois filhos com SIDA, o marido infectado e o vizinho do lado também, vai-se lá saber porquê. Os namorados não se queixavam do sexo, que eu a eles os tratava como se fossem aqueles clientes de primeira que apareciam quando o rei faz anos e que pagavam com jóias e dinheiro que dava para tirar férias e ir à aldeia durante uma semana inteirinha.

Quando vim para Lisboa não tinha sequer o décimo ano, tinha ficado com a Matemática atrasada, que a cabra da professora tinha-me dado 6 sem sequer me consultar. Vim para cá com esperança de acabar o Secundário enquanto trabalhava, o meu pai na altura tinha ficado inválido e a família começava a precisar de uns trocos. O meu primeiro trabalho foi no Colombo, como caixa de supermercado, mas o que eu recebia não dava para nada, mandava umas notas para casa, pagava o aluguer do quarto bolorento, ia ao Kremlin curtir com as minhas colegas mais novas. Depois o meu irmão Telmo veio para a Lisboa, meteu-se na coca e as coisas começaram a se complicar, chegava-se a uma certa altura do mês e o dinheiro acabava. Uma vez entrei no Kremlin e comecei a curtir com um beto todo cheio da massa. Na altura nem pensei no assunto, estava ali por estar, problemas na cabeça, alcoól a mais no sangue, mas depois, quando saímos e o gajo me ofereceu boleia para casa, eu disse-lhe ao ouvido "se me deres dez contos, sobes comigo", o gajo subiu, deu-me dez contos e eu comecei a seduzir para ser paga.

E foi sempre assim, rua acima, rua abaixo.

No fundo, todas as mulheres são putas, vão para a cama por interesse. Nem que o interesse seja só o prazer. Uma vez, uma gaja passou-me ao lado e cuspiu-me para as botas de cano alto. O nojo dela não me incomodou; agora o escarro nas minhas botas da Zara é que foi fodido.
Cristina

Antestreias!E eu não estou em Lisboa

Caro Membro do Clube Medeia,
Temos o prazer de o/a informar que as antestreias que iremos organizar em exclusivo para os Membros do Clube Medeia nos meses de Setembro e Outubro, serão duas e não uma, para cada um dos filmes e em Lisboa e no Porto, tendo portanto lugar a um sábado de manhã e a uma quarta-feira à noite, conforme abaixo enunciado.

A VIDA É UM MILAGRE de Emir Kusturica *

LISBOA: Cinema Monumental/Saldanha, sala 1 18 de Setembro (sábado) 10H30 22 de Setembro (quarta-feira) 21H45 *
PORTO: Cinemas Cidade do Porto, sala 1 18 de Setembro (sábado) 10H30 22 de Setembro (quarta-feira) 21H30

NOITE ESCURA de João Canijo

* LISBOA: Cinema Monumental/Saldanha, sala 1 9 de Outubro (sábado) 11H00 13 de Outubro (quarta-feira) 21H45
* PORTO: Cinemas Cidade do Porto, sala 1 9 de Outubro (sábado) 11H0013 de Outubro (quarta) 21H30

Estas sessões são exclusivas para os membros do Clube Medeia. Os sócios podem levantar o bilhete a partir da véspera da sessão e no limite dos lugares disponíveis.
Com os melhores cumprimentos
O Clube Medeia

terça-feira, setembro 07, 2004

Querida Maria,

Tens razão, não temos a verdade absoluta! E nisto do aborto não há certezas nem lógicas: age-se muito com o coração, tanto os que estão contra, como os a favor, como os assim-assim.

As petúnias sobreviveram. Mudei-as de vaso e pu-las no beiral do quarto da minha avó. Acreditas que em pleno Verão elas voltaram a florir?
Cristina

Propinas II

Eu ontem com a minha irritação toda esqueci-me de uma coisa importantíssima, se calhar um ponto fulcral para esta revolta que em mim vai.

É que mesmo pagando tanto, mesmo tendo pago o ano passado mais do que o ordenado mínimo nacional, a minha faculdade continua sem condições para as aulas e estudo. São anfiteatros onde não cabe toda a gente, são aulas práticas sem material, uma biblioteca que tem no total 5 mesas onde se podem sentar no total 6 pessoas, acesso a internet para alunos só em 10 computadores na faculdade toda, serviços ainda muito burocráticos e pouco informatizados!

É caso para perguntar: para onde vai o dinheiro?
Cristina

Favelas

Casas em cima de casas à frente de casas atrás de casas à direita de casas em baixo de casas à esquerda de casas.
Cristina

segunda-feira, setembro 06, 2004

Raio de País!

Cometi o erro de ir ao site da minha faculdade saber sobre as matrículas e esse tipo de coisas. Não é que dei de caras com a pior notícia que me podiam ter dado nos últimos tempos??

As minhas propinas aumentaram!

Não é normal.

No 1º ano, paguei 174 €, no total. NO TOTAL.

No 2º ano, aumentou de caraças. 696 €, no total, sendo cada prestação de 174 €, ou seja, cada prestação que paguei (foram 4) foi igual ao que paguei no total no ano anterior.

No 3º ano (que é este que começa em Outubro), cada prestação são 220€, sendo 4 prestações, dá 880 €, no total.

Ora, 880€ é quase o que a minha mãe ganha num mês. Eu posso pagar por causa do ordenado do meu pai, mas e quem não pode?

Quem não pode, vê dez estádios a serem construídos. Vê dois submarinos no custo total de 770 milhões de euros a enriquecerem a frota da marinha. Vê a GNR (que lhe fica com parte do dinheiro) a alimentar uma Guerra com a a qual nem concorda. Vê impostos a aumentarem e subsídios e pensões a diminuirem. Estudantes que não conseguem acabar o curso, idosos que não conseguem pagar medicamentos, famílias que não conseguem comprar livros e música (que, merda para isto, não são luxos, são acesso a cultura!).

Desculpem, mas eu não consigo olhar para isto sem ficar revoltada. Sem ficar com vontade de vomitar!

Eu posso, como diz um tio amigo, estar na fase do MRPP, mas porra! Nem é por mim, caraças, é pelos que não podem. Porque esta merda de governo não consegue ver que este estado de fio dental em que estamos, quase a entrar num estado de nudez total (eu estou a citar alguém e não me lembro quem- alguém que li no Expresso, julgo), está a colocar as vidas das pessoas em risco.

Sinceramente, fico piursa.

É daqueles momentos em que me apetece mandar toda a gente comer merda. Vou parar por aqui antes que passe do dito para o feito.

Porra.
Cristina

sábado, setembro 04, 2004

Sou uma puta

Acabei de constatar que o meu sentido de humor mudou ao receber dinheiro. Assumo-o, sem vergonha, e até com algum orgulho: sou uma puta.
Afinal de contas muitos criticam as putas (as que vendem o sentido de humor e muito mais), mas mesmo sem as usar estão a utiliza-las, porque ficam tranquilizados por saber que elas estão lá, disponíveis para tudo.
Maria

Nunca estamos sós, mas às vezes pensamos que sim.

finalmente só! lembram-se da ilha deserta?! finalmente está deserta... tenho pensado muito passeado muito, fumado pouco e bebido um pouco! até tenho vejam vocês peñsado para lá do meu mundo, sempre me disseram que eu achava que o mundo girava a volta do meu umbigo, por isso tem sido otimo. Passei por aqui para dizer olá, há muito que não dava noticias. voltarei em breve e aí será altura certa para vols falar dos meus pensamentos!

até lá
Vitória

p.s. uma grande novidade apaixonei-me pelo mar e pela praia, estranho só sentir isto agora, eu que sou um peixe!

quinta-feira, setembro 02, 2004

vida

Deixa-me cá improvisar um bocadinho sobre a vida e o aborto e essas coisas.
Houve uma coisa que disseste que me preocupou muito, não resisto a perguntar: as petúnias sobreviveram?
Há assuntos que nos parecem tão óbvios que é dificil discuti-los. Mas temos que fazer um esforço e nunca pensar que possuímos a verdade absoluta (entretanham-se a pensar que estão a possuir outra coisa qualquer).
Certamente que num mundo perfeito não haveria abortos. Mas não estamos num mundo perfeito. E eu sou defensor do mundo perfeito, a Utopia não pode morrer (ou morrerei com ela).
Segundo a minha experiência em caminhos, talvez o caminho para o mundo perfeito (apanhar um avião para o Brasil e ficar a olhar para a paisagem, desviando o olhar das favelas?!) seja tentar fazer um mundo um bocadinho mais perfeito.
Se houvesse aborto talvez não houvessem recem-nascidos abandonados no meio do lixo. Alguns são encontrados com vida e são adoptados por casais maravilhosos, outros são encontrados com vida e passam a vida em instituições duvidosas, outros são encontrados mortos e certamente que outros nunca são encontrados e não passam de uma lembrança dolorosa na cabeça da mãe.
Se não houvesse aborto não haveria mulheres a morrer em clinicas ilegais de condições inimagináveis. Muitas das que não morrem ficam com marcas fisicas preocupantes.
Depois há as marcas psicológicas indescrítiveis, e o facto de ser ilegal só aumenta o sentimento de culpa.
Nunca percebi o argumento que se tem que defender a vida, mesmo sendo de um amontoado de células que dificilmente se distinguiria de um gato ou um peixe no mesmo estado. Já pensaram que uma mulher poderia ter um filho por ano, durante a idade fértil. Já viram a quantidade de vidas que se perdem?
Perfiro defender as condições de vida, é bom saber que fomos desejados e há uma hipótese de sermos amados por quem nos pôs cá.
Eu não estou a dizer que devemos proibir as tias ricas de cascais de irem fazer os seus abortos a Inglaterra, onde garantem todas as condições, estou só a dizer que devia haver igualdade de condições.
Maria

Foi assim

Quando aquele vaso caíu da minha janela e eu olhei lá para baixo, vi que a minha avó estava no chão, à porta de casa, deitada. Reparei que ela já lá devia estar há um dia, eu servi o almoço e ela não veio almoçar, servi o jantar e ela não veio, liguei a telefonia na estação que dá o terço e ela não veio ouvir. Desci as escadas a correr e quis corrigir os meus erros naquele instante: falei com ela. Não falava com ela há imenso tempo.
A minha avó não me reconheceu. E quando eu disse "Gosto muito de ti, avó", ela não sabia quem estava a falar com ela.
Quando eu achava que estava a amá-la, afinal estava só a adiar a data da sua morte para mim.
A minha avó tinha morrido mesmo quando ainda respirava e comia e tomava os remédios. E faltou-lhe alguém que a amasse. Eu só a conheci quando vi aquele vaso de petúnias no chão.
Cristina

Gratuitos!

Os métodos contraceptivos gratuitos de que eu falava não são os naturais. Esses não são eficazes, gente! Eu falava em preservativos e pílulas obtidos gratuitamente em centros de saúde, em consultas de planeamento familiar!
Cristina

Não digam a ninguém!

Eu nasci de uma gravidez não-planeada. A minha mãe tinha 17 anos, o meu pai 22. Não sei o que aconteceu, nem me interessa saber, mas aqui estou eu. Não tenho mal-formações congénitas, problemas financeiros, intelectuais, legais. Sou sadia, tenho um comportamento normal para uma adolescente/jovem adulta, doenças que me afectem é mais a rinite alérgica. Moro numa casa com 3 quartos, duas salas, 1 cozinha, duas varandas. Tenho uma irmã mais nova do que eu 12 anos e uma cadela Labrador. Já tive um cocker, um coelho-anão, vários canários, vários hamsters. Gosto de animais! E também gosto muito de ler, de música, de dançar. Passei para o 3º ano da faculdade sem nenhuma cadeira atrasada. Os meus pais têm um carro cada um, eu vou ter carro também em breve, um telemóvel cada um. Gosto de falar com os meus pais sobre todos os assuntos que me e lhes dizem respeito, gosto de conversar com eles sobre nada, a minha melhor amiga é a minha mãe, saímos à noite juntos. Já perdi a virginidade e não engravidei. Já repeti e não engravidei.
Eu fui um azar na vida da minha família e deixei de o ser para ser sorte.

E (choque) sou a favor da despenalização do aborto.

Uma vez disseram-me que eu devia ser contra o aborto porque se o aborto fosse legal eu não estaria aqui, seria mais um dos muitos fetos mortos em abortos. Eu não concordo.

Eu concordo que se tomem (como dizia o outro) preocupações - já existem tantos métodos contraceptivos disponíveis, alguns caros, outros baratos, outros ainda gratuitos. Eu concordo que ao se abortar está-se a aniquilar a hipótese de alguém viver, de alguém, como eu, nascer e fazer pela vida. Eu concordo que é preciso mais sensibilização mais civismo quando se fala em sexo e relações sexuais. Eu concordo que o assunto não deve ser tratado com leviandade, mas também concordo que não deve ser tratado com falinhas mansas e hipocrisias.

As causas dos inúmeros abortos são flagelos sociais, que devem ser encarados de frente, pelos cornos, e tratados com seriedade e respeito.

A lei do aborto que vigora em Portugal é- como dizê-lo sem ferir susceptibilidades?- ridícula. Como o são, infelizmente, a maioria das leis portuguesas que tratam de assuntos sérios. É uma lei que ignora casos e consequências, feita a pensar no umbigo de senhores ricos e capitalistas; é uma lei fora de moda, desactualizada, desadequada à realidade portuguesa e europeia.

Ignoram-se os milhares de abortos clandestinos que se fazem em Portugal por ano. Ignoram-se os sentimentos de mães deseperadas que procuram as parteiras ilegais (aborteiras?), o sentimento de desespero, de frustração que as invade. Mães que abortaram porque se sabiam incapazes de cuidar da criança por razões de variada índole, mães para quem o filho representaria uma terrível recordação de uma violação, de uma intromissão no seu corpo, onde já se viu, um filho gerado com ódio, mães para quem ter um filho deficiente seria um desgaste tal, que nem um nem outro seriam capazes de serem felizes- um por se sentir incapaz de fazer mais, outro porque viveria sem viver. São também estas mães que procuram os abortos ilegais, que se arriscam à morte, à doença, à esterilidade e, pior ainda, a serem consideradas criminosas por uma justiça que apenas é justa de nome.

Há casos e casos. Há famílias onde há informação. Onde há condições para se criar uma criança, mesmo que a mãe seja jovem ou a criança anómala ou assim. Há famílias onde deixar que a criança cresça num ambiente pesado e desgastante é um acto mais frio e desumano que matá-la quando ela ainda nem sente a dor da morte (a morte dói?).

E tanto há para dizer sobre este assunto.
Cristina

o caminho

Se compreendes por onde ando, por onde quero ir e para onde quero ir, gostaria de casar contigo.
Mas atenção que por baixo dos sapatos ando sempre descalça.
Maria