sábado, julho 31, 2004

zzzZZZzzzZZZ

Hoje fui ver o Rali Vinho Madeira. Acordei cedo (7h), conduzi pela ilha toda, andei imenso para ver os ganchos e as curvas mais perigosas, os pilotos a usarem travão de mão com toda a perícia, os carros "a jogarem de trás" - isso, perguntem-me o que quer isto dizer, eu respondo "não sei bem", mas acho que é quando, nas curvas, a parte de trás do carro toma uma direcção inesperada. Acho que é.
Conclusão: estou estafada. A sério! Durmo pelos cantos! E quando estou assim cansada fico sem ideias para escrever.zzzZZZZZzzzzzZZZ

Por isso, quero apenas deixar aqui uma bilhardice - termo madeirense para coscuvilhice. Sabiam que a PJ Harvey- o Salvador, a Maria, a Glória e a Vitória (lol) sabem que eu gosto muito de PJ Harvey , bom, eu venero a senhora- já foi namorada do Nick Cave? Deve ser daí que surgiu o Henry Lee. Mas acabaram por volta de 1998 - e daí, em parte, a negritude do seguinte álbum dela "Is this desire?"- se bem que isto me seja difícil de distinguir, acho que é o meu álbum preferido. Mas ela não está sozinha, actualmente namora com o Vincent Gallo, músico, fotógrafo, pintor, actor e realizador (do Brown Bunny). Felicidades para eles. A propósito de polivalência, a PJ Harvey já realizou duas exposições com obras dela - esculturas. Tudo isto vocês podem confirmar aqui, no site que eu considero o mais completo - acho que é oficial até porque muda de imagem consoante a imagem dos álbuns dela.

Foi de lá que eu tirei esta belíssima letra, do álbum "To bring you my love" (1995, Island Records). Ela não é autobiográfica, mas gosto de pensar que ela escreveu isto a pensar no Nick Cave. Chamem-me romântica.

PJ Harvey - The Dancer

He came riding fast like a phoenix out of fire flames
He came dressed in black with a cross bearing my name
He came bathed in light and the splendor and glory
I can't believe what the lord has finally sent me

He said dance for me, fanciulla gentil
He said laugh a while, I can make your heart feel
He said fly with me, touch the face of the true god
And then cry with joy at the depth of my love

Cause i've prayed days, i've prayed nights
For the lord just to send me home some sign
I've looked long, i've looked far
To bring peace to my black and empty heart

My love will stay till the river bed run dry
And my love lasts long as the sunshine blue sky
I love him longer as each damn day goes
The man is gone and heaven only knows

Cause i've cried days. i've cried nights
For the lord just to send me up some sign
Is he near? is he far?
Bring peace to my black and empty heart

So long day. so long night
Good lord, be near me tonight
Is he near? is he far?
Bring peace to my black and empty heart

Cristina

sexta-feira, julho 30, 2004

O Fogo

Ao ver as notícias da hora do almoço. Fiquei chocada! Aquele fogo todo a consumir árvores, casas e a galgar estradas é impressionante.
Mas acho que só me apercebi da devastação do fogo, quando vi a casa e os sítios que visitei numas férias como estas, umas férias de Verão, a desaparecerem dentro das chamas que começavam por lamber as paredes das casas e por fim derubavam-nas...
Como disse a minha mãe, é uma pena.

Glória

O que fiz hoje

Hoje pensei. É esta a consequência da ressaca que eu mais aprecio. Pensei, pensei, pensei. Deitei-me a reflectir sob um sol quente, com o barulho do mar como fundo - uma praia semi-vazia por causa de um rally é, no mínimo, insólito (acho eu). Pensei sobre a natureza do acaso e da inevitabilidade. Digamos que isto é uma forma cara de dizer que pensei na vida.

Bolas.

"Inventar a solidão.
Ele quer dizer. Quer dizer, ele significa. Como em francês, "vouloir dire", que significa, literalmente, querer dizer, mas que significa, de facto, significar. Ele significa dizer aquilo que quer. Ele quer dizer aquilo que significa. Ele diz aquilo que quer significar. Ele significa aquilo que diz." - Paul Auster, Inventar a solidão

Por isso, temos que ter cuidado com o que dizemos. Nós somos aquilo que dizemos. Que fazemos. Que conhecemos. Que queremos. Que cremos. Que esperamos. Que sonhamos. Que somos. Nós somos aquilo que somos.

( E ninguém tem nada a ver com isso.)

Cristina




Não há pachorra para dramas!!!

Sabes Vitória, acho que para variar estás a dramtaizar. Porquê que te fazes sempre de vítima e pensas que és tu sempre que sofres mais. Se sabes perfeitamente que quando tiveres a rebolar na cama a tentar adormecer, num momento súbito de lucidez vais te aperceber que estavas a exagerar.
Já te disse isto várias vezes, mas nunca escrevi. Escrevo hoje para que não te esqueças de (seres feliz) não seres triste.
Não te peço que sejas conformada mas sim lúcida.
 
Salvador

As Pessoas

As pessoas deviam ser verbos em vez de nomes. As pessoas têm um nome: intenção. Eu tenho um verbo: ser.

Devíamo-nos preocupar em ser verbo, independentemente dos tempos verbais que fôssemos.
Quem será alguém tem tanto valor quanto quem foi ou quem é.

Devíamo-nos esquecer dos adjectivos- que são relativos e ilusórios- e dedicarmo-nos aos verbos.

PARAR DE SER NOME PARA SER PESSOA.

Cristina

Aaaaaarrgh

Sabem quando tudo muda e tudo está na mesma?
Eu nem sei do que estou a falar, mas sei que esse tipo de coisas acontecem.

Macacos que tenho na cabeça (macacos do tamanho de gorilas, tão reprimidos na minha mente como os gorilas enjaulados que a Maria viu) gritam e depois se silenciam, vão e voltam, como ondas e marés. E eu que os ature.

Penso que as coisas mudaram mas, perante as mesmas circunstâncias, volta o bater acelerado do coração.

Sabem? É frustrante achar que temos controlo sobre nós mesmos. Eu sei que somos feitos de acções, mas há acções que nos fogem da mão. Acções que não envolvem músculos, ligamentos e articulações, mas que envolvem, na verdade, alma e coração. Esse tipo de acção não depende só de nós. De que é que depende então?

Porque é que não conseguimos mandar na nossa alma como mandamos nos nossos músculos?

Cristina

Bola no "gorgomilho"

Não, não é uma ansiedade pós-parto, isto que sinto, nem nenhuma ansiedade específica...
É apenas uma bola na garganta... porquê? Cada vez que me pergunto isto a bola fica maior.... até comer se torna díficil... Será da ressaca Cristina? Espero...
Amanhã parto para uma ilha deserta (que não vai estar deserta) mas é assim que me quero sentir lá, só! E conseguir viver com isso sem uma enorme bola no "gorgomilho".
Assim desejo-me uma Boa Viagem e Boa Sorte!
 
Victória

quinta-feira, julho 29, 2004

Uma noite

Estou a meio da semana e já passa da meia noite.
A canícula  que matou à pouco uma septuagenária nao muito longe daqui faz-me percorrer as tascas, bebendo cerveja, onde por vezes me supreendem com um agradavel copo gelado.
Na quarta tasca dou por mim num bar cheio de marroquinos. Depois de uma agradável conversa de ocasiao sobre a beleza de Portugal e das amizades luso-marroquinas com um homem que estava estratégicamente sentado no canto que o balcao faz com a parede (digo estratégicamente porque era a parede que o amparava nas suas indiscritível e perigosamente belas viagens que fazia depois de snifar mais um pouco de coca, mesmo ali) oferece-se para me vender um quarto de quilo de haxixe marroquino.
O preço e o perigo fazem-me recusar a oferta. Tento comprar menos, mas ele recusa-se. Decidi nao dar o braço a torcer. Acabei a minha cerveja, paguei e sai, sem trocar olhares.
Estou já na rua quando ele me chama - Portugues - Entrei e saí, desta vez rodeado de marroquinos com boas ofertas.
Pensava que estava mais perto de casa.
A noite continuou bem.
Maria

heterossexual?

Por alguma razao criamos um blog em vez de nos casarmos os três... e a razao é nao nos conhecermos muito bem. Certamente (?!)que se nos conhecessemos teriamos outras razoes.
Este post destina-se a esclarecer a nossa heterossexualidade. Somos acima de tudo animais sexuais... a nossa heterossexualidade é somente momentanea. E esse momento poderá durar até ao fim das nossas vidas.
Mas penso que temos a mente e olhos suficientemente abertos para nao deixar passar o AMOR ao lado, esteja este em que forma esteja.
Maria

Até ao Fim

"Queria esquecer-te, vê tu, como um pecado que não cometi. Saudar depressa o sol e eu como do lado dele do lado do triunfo e olhar-te a ti do lado do erro que não conta para a vida. E todavia pensar que tudo foi entre nós para não ser, pensar que nada tinha razão no que me ligou a ti, que uma fracção enorme de mim foi um dispêndio na economia humana, que nada se cumpriu no que se cumpriu."
Este parágrafo do livro de Vergílio Ferreira, Até ao Fim, depois de o ler continuou dentro da minha cabeça, por isso escrevi-o, pode ser que o esqueça...
 
Vitória

terça-feira, julho 27, 2004

praia

É bastante bom ir à praia sozinho, todos aqueles corpos desnudados á nossa frente, podemos fazer o que nos apetecer... mas ñ me digam que a parte de espalhar protector solar nas costas sozinho ñ é depressiva!!!

O post mais prevísivel da vida deste blog

A previsibilidade é chata, sensaborona, mas, muitas vezes, útil. E este é, sem dúvida, um post útil.
"Serve o presente para informar" que somos três seres assexuados (mas heterossexuais) anónimos, que não tentam copiar ninguém nem se superiorizar a ninguém. Têm um blog porque gostam, porque um dia um de nós escreveu o texto do post intitulado "Crime Passional", e não ia ser um post, mas o outro teve a ideia e o outro estimulou e foi uma bola de neve (derretida, com este calor).
E agora, depois de escrever na terceira pessoa, digo-vos que eu sou um desses seres assexuados. E que, a partir de hoje, dia da graça do Senhor 27.07.2004, este ser assexuado que vos escreve dará pelo nome de...

...

Abro a gaveta dos CD's e procuro inspiração. Olho para a estante dos livros e procuro inspiração. Filmes, também. Nada. Um vazio.

Escolhi. Veio dos CD's e dos livros: serei Cristina, a partir de hoje. E explico: Cristina, personagem d' Aparição, obra de Vergílio Ferreira, que os  humildes autores deste blog admiram e também pela música do Nick Cave (sim, os autores deste blog também gostam de Nick Cave) do álbum "Henry's dream", que se chama Christina the Astonishing. Cristina também uma pessoa muito importante na minha vida (sem a qual eu não estaria no mundo).

E só porque cada post deverá ter o seu autor e identidade própios, fui eu, a Cristina, quem escreveu o post que nos fez infectar a blogosfera. Sim, esse, o anterior. Longo? Não, lê-se num instante.

Espero que quem nos visite se divirta tanto quanto nós. Cristina

Crime Passional


Agarrei numa faca e matei-o. Em linhas gerais foi o que aconteceu. Uma faca daquelas que cortam carne assada e rosbife em fatias muito finas. Às fatias podia ter ficado ele, se me apetecesse. Foi a única vez na nossa relação que achei que era eu que tinha o controlo de tudo, a vida dele nas minhas mãos, o sangue dele entre os meus dedos.


Abri a porta e matei-o, sim. Mas não contes a ninguém. Qualquer dia descobrem-no morto, deitado naquela cama onde nunca me deitei, onde sempre se deitou a outra. E vão arranjar suspeitos, vais ver. Nunca vão descobrir que fui eu. A sério.

Usei luvas. Parecia profissional. Abri a porta e matei-o. Com uma faca, já disse que foi com uma faca? Daquelas de cortar rosbife…
E a faca nem era minha, era dele, estava lá na cozinha pronta para cortar a carne para o jantar dele. Se calhar ele ia jantar com a outra. A outra ia jantar a casa dele como tantas vezes acontece.


Sabes que a cozinha fica longe do quarto? Na casa onde ele morou sozinho, o corredor maior separa a cozinha do quarto. Foi esse corredor que eu atravessei, com a faca na mão, em passos pequenos, respirando fundo. Mas não penses que estava nervosa. Não. Estava decidida.
Bati duas vezes – duas? Ou foram três? Já não me lembro e não importa. Bati na porta do quarto e ele estava de toalha enrolada na cintura, sentado na cama, a se olhar ao espelho. Já te tinha dito que ele ia tomar banho quando eu cheguei lá ao apartamento? E ele disse “Vou tomar banho, esperas por mim na sala que a gente já fala.” Foi esta a frase, sem mais nem menos. O que ele me ia dizer, eu não sei. Fui eu que lhe liguei para estar com ele. Sou sempre eu que lhe ligo. Ou ligava. Deu-me agora para pensar se ele estará mesmo morto. Bem, deve estar.


De qualquer maneira, onde é que eu ia? Pois, ele estava sentado na cama a se olhar ao espelho. Sabias que ele era narcisista? Eu não imaginava. Tanta coisa que soube dele e só soube essa no dia da morte dele. A maneira como ele se olhava ao espelho dizia tudo. Bom, eu abri a porta e ele estranhou a minha presença. Notei isso no seu olhar, como se pressentisse alguma coisa. Talvez a sombra da Morte sobre ele, a nuvem do eterno desaparecimento. A faca ia atrás de mim, entre as minhas duas mãos enluvadas. Luvas quentes para um dia de Verão como este, de sol tórrido. Eu preferia ter feito isto num dia de chuva, de relâmpagos, trovões, mas tinha que ser feito hoje. Os carros na rua, as britadeiras da obra não deixaram ouvir o primeiro grito de dor.

Ele gritou de dor nas primeiras três facadas. Depois começou a sangrar e desmaiou quando viu o sangue. Outra coisa que eu não sabia sobre ele. Faz-lhe impressão o sangue. Fazia-lhe. As primeiras três facadas foram no abdómen, do lado esquerdo, devo ter atingido o baço, o estômago. O baço sangra imenso quando é traumatizado porque está cheio de sangue lá dentro. As outras duas facadas também foram no abdómen mas mais abaixo e do lado direito. Entre as primeiras três facadas e as últimas duas eu acordei-o do desmaio. Dei-lhe umas bofetadas na cara, chamei-lhe pelo nome e ele viu-me. Tentou falar, agarrar-me, sabes? A típica cena de filme, arrependimento, dúvida. Mas só na cabeça dele. Na minha só batia uma coisa: acabar o que tinha começado.”Porque é que estás a fazer isto?” E eu sem responder, a mandá-lo calar. E ele a agarrar-me. Estava tão lívido, coitadinho, já nem forças tinha para respirar, quanto mais para parar uma pessoa que faz exercício três vezes por semana – tenho ido ao ginásio nos últimos tempos, devias vir também que aquilo é tão relaxante.

A certa altura só vi sangue à minha volta, nos lençóis, a pingar para o chão, nas almofadas, na toalha, no meu cabelo. Quase que tinha um orgasmo. Foi sexual, eu por cima dele, em domínio, a agarrá-lo e ele com aqueles olhos tristes, a olhar-me, a boca a querer mexer e a não poder, e eu a beijá-lo pela última vez, e ele a esbracejar, a espernear, a língua a querer articular mais uma palavra e a não poder. Pus a cabeça dele no meu colo, numa atitude pós-coito, ele cada vez mais calmo, mais em paz. E eu disse:”Morre, meu amor. Não lutes mais e deixa-te ir. Meu amor.” Ele começou a tossir, tossia, tossia. E eu sempre “Deixa-te ir, amor. Deixa-te ir.” Antes de ele tossir pela última vez olhou para mim e puxou-me pela mão que lhe acariciava os cabelos. E então tossiu pela última vez e eu soube que estava feito.

Já escolheste? A mim não me apetece carne, vou comer peixe assado. Já podes chamar o empregado. Bebemos vinho?

Olha, eu sei que não foi uma morte bonita, mas também há mortes piores. E tu sabes que eu fiz isto por mim. Por ele também. Este amor estava a levar-me à loucura. E foi o momento em que mais próxima me senti dele, um instante visceral. Se ele não morresse, e pára de olhar para mim com essa cara, eu ia enlouquecer apaixonada por ele e ele sem me dar bola, sempre com a outra. Porque ele fingia que gostava dela mas gostava de mim. E eu se o visse, eu se o visse, eu sempre que o via, apaixonava-me de novo. Se eu o visse para sempre, ficava para sempre apaixonada porque gostava demais dele, demais. Demais. Sentia-o junto a mim. E a sua presença estava por todo o lado, pela minha casa, pela minha cama, pela minha música, pelos meus livros, pelos meus perfumes. Eu gostava demais dele e isso tinha que acabar.
E chama o empregado se fazes favor que estou cheia de fome.


quarta-feira, julho 21, 2004

gorilas maltratados!

É com a escrita um pouco embargada pela tristeza e revolta que vos relato esta minha vivência:
Estive recentemente num café que tinha gorilas aprisionados. Estavam ali só para serem vistos, apáticos e parados, sem grandes preocupações com as suas necessidades, só para agradar aos utentes do respectivo estabelecimento. Ainda por cima estavam cobertos de papel (de cores variadas), e viviam numa caixa de papelão com menos de 100 centimetros quadrados.
Fez-me lembrar a minha última visita ao zoo!

sexta-feira, julho 16, 2004

Ensaio Surrealista

Eu bebé é arrebatador. Amor, mas espero, alcançarás aquela luz pouca responsabilidade alheia. Mundo acabamos ponto final